capitalismo_infografico

Fala, galera. Conforme prometido ta aí, texto pra ajudá-los a compreender a matéria das nossas duas primeiras aulas, cujo assunto é o processo de desenvolvimento do capitalismo. Como esse é um tema que gera muitas dúvidas, é fundamental que vocês mantenham a sua agenda de leituras em dia. Já adiantando que agumas palavras-chave vão estar em negrito e, em alguns casos, com um link para páginas na internet que aprofundam o assunto. Boa leitura

O que é capitalismo?

Para início de conversa, é necessário compreender o que significa capitalismo. Basicamente, é um sitema econômico que visa a produção de bens e serviços para consumo, com objetivo principal de se obter lucro. Em outras palavras, o capitalismo é um modo de produção e se refere a como a sociedade produz, consome e distribui os seus bens e serviços. Surgiu na Europa no século XVI, como consequencia da superação do feudalismo (modo de produção dominante durante a Idade Média). Desde o seu surgimento, o capitalismo sempre teve vocação se expandir para outras áreas do globo, se tornando o sistem econômico dominante em escala mundial.

Algumas características do capitalismo:

Propriedade Privada dos meios de produção: Os meios de produção (bancos, indústrias, terras, empresas) pertencem predominantemente a uma pessoa ou a um grupo de pessoas.

Sociedade de Classes: como os meios de produção são de proriedade de um número reduzido de pessoas,  dividimos a sociedade capitalista em duas classes sociais: a burguesia, composta pelos proprietarios dos meios de produção; e os proletários, que são os não proprietários dos meios de produção

Trabalho Assalariado: Como não há acesso aos meios de produção, a maioria dos trabalhadores se torna assalariada, ou seja, vende o seu trabalho em troca de uma remuneração (salário). é através da exploração do trabalho que o capitalista extrai o seu lucro (ver mais-valia).

Economia de Mercado: As empresas decidem como e quanto produzir e estabelecem o preço das mercadorias com base na Lei da Oferta e da Procura – Os preços das mercadorias variam de acordo com a procura por parte do consumidor e a quantidade do produto em oferta, isto é, colocada à venda.

 

As fases do capitalismo

O Capitalismo Comercial

Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela expansão marítima das potências da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha). O grande acúmulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comércio, daí o termo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista, que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado. Nesse sentido, defendia a necessidade de riquezas no interior dos Estados, e a riqueza e o poder de um país eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que possuíam. Esse princípio ficou conhecido como metalismo. Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço para exportar mais do que importar, garantindo saldos comerciais positivos. O mercantilismo foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo, pois permitiu, como resultado de um comércio altamente lucrativo, das explorações das colônias e da pirataria, grande acúmulo de capitais nas mãos da burguesia européia – a chamada acumulação primitiva de capital, fundamental para o desenvolvimento do capitalismo em sua fase industrial.

O Capitalismo Industrial

Essa etapa do capitalismo foi foi marcada por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. As maiores mudanças resultaram na Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII. Um de seus aspectos mais importantes foi a a utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, tornando acessível aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores. O comércio não era mais a essência do sistema. O lucro advinha fundamentalmente da produção de mercadorias em larga escala (indústria). A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que permitirá a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fábricas, das fazendas, das minas, etc. Dessa forma, todo produto ou serviço vendido traz embutido esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acúmulo de lucro pelos capitalistas. Este macanismo de extração do lucro através da exploração de trabalho é o que Karl Marx chamava de mais-valia. Se no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia comercial, no tocante a atuação da nova burguesia industrial, ou capitalista, era um empecilho. Ele não deveria intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência. Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo. Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam velozmente; aprofundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série. Nessa época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo a Segunda Revolução Industrial, dessa vez não mais impulsionada pela Grã-Bretanha, mas por outras potências como EUA, França e, mais tarde, Alemanha e Japão. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo. Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de garantirem novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos. Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África. A partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os países que então se industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia complementar e subordinada à das potências imperialistas. A Alemanha, por ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua indústria crescia em ritmo mais rápido que a dos demais países, também se ressentia mais da falta de mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas européias acabou levando o mundo à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

O Capitalismo Financeiro

Uma das conseqüências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a partir de fins do século XIX, na monopolização ou oligopolização de muitos setores da economia. O liberalismo restringe-se mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser cada vez mais dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e o livre mercado. O Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria a sepultar definitivamente o liberalismo clássico. A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial e agrícola, pois os baixos salários pagos na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que passou a importar menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores. Colocando em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”) foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana. Essa política de intervenção estatal na economia, que acaba favorecendo o grande capital, ficou conhecida como Keynesianismo, por ter sido o economista inglês John Maynard Keynes seu principal teórico e defensor. Esta fase do capitalismo viria a sofrer mudanças após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). a destruição causada pela guerra agavou o processo de decadência das antigas potências europeias. Aos poucos ocorre processo de descolonização da África e da Ásia e o deslocamento do centro de pode mundial para os Estados Unidos e a União Soviética, além industrialização de alguns países subdesenvolvidos. Do ponto de vista ecnômico, o pós-Segunda Guerra foi marcado por uma acentuada mundialização da economia, principalmente a partir dos anos 1970 com a terceira revolução industrial e o processo de globalização econômica.

O capitalismo Informacional

Com o início da Terceira Revolução Industrial, tmbém conhecida como Revolução Técnico-Cientifica Infomacional, o capitalismo atinge uma nova fase. Nessa etapa começou a getar no Pós-Segunda Guerra mas se desenvolveu sobretudo a partir dos anos 1970 e 1980. As duas revoluções industriais anteriores foram impulsionadas pelo desenvolvimento de novas fontes de energia – a primeira por carvão e a segunda por petróleo e eletricidade.  A revolução ora em curso é impulsionada pelo conhecimento, embora a energia continue sendo essencial. Durante a expansão imperialista era imprescindível para as indústrias o acesso a matérias-primas e de energia para a manutenção do sistema produtivo. Hoje, na época da globalização, embora o acesso a recuros naturais continue sendo importante, é imprescindível o acesso ao conhecimento, fruto de investimentos em em Pesquisa e Desenvolvimento. No capitalismo informacional, as relações econômicas entre países são mediadas através do neoliberalismo, doutrina econômica que buscou retomar vários preceitos do liberalismo clássico e posta em prática pela primeira vez no final da década de 1970, preconizando a não-intervenção do Estado na economia e defendendo a privatização de empresas e a diminuição das tarifas alfandegárias, entre outras medidas. Os neoliberais defendem a ideia do Estado mínimo, isto é, o governo deveria ter sua atuação restrita ao campo social (destinando o mínimo de recursos à saúde, educação e previdência, por exemplo), além de não interferir no processo econômico, que seria regulado exclusivamente pelas leis de mercado. Esses pressupostos, no entanto, vem sendo duramente questionados, sobretudo a partir da crise econômica de 2008.

Anúncios